quinta-feira, 19 de agosto de 2010

A alegria na tristeza - Martha Medeiros

Postado por BeliM às 23:15 2 Engraçadinhos
A alegria na tristeza


O título desse texto na verdade não é meu, e sim de um poema do uruguaio Mario Benedetti. No original, chama-se "Alegría de la tristeza" e está no livro "La vida ese paréntesis" que, até onde sei, permanece inédito no Brasil.
O poema diz que a gente pode entristecer-se por vários motivos ou por nenhum motivo aparente, a tristeza pode ser por nós mesmos ou pelas dores do mundo, pode advir de uma palavra ou de um gesto, mas que ela sempre aparece e devemos nos aprontar para recebê-la, porque existe uma alegria inesperada na tristeza, que vem do fato de ainda conseguirmos senti-la.
Pode parecer confuso mas é um alento. Olhe para o lado: estamos vivendo numa era em que pessoas matam em briga de trânsito, matam por um boné, matam para se divertir. Além disso, as pessoas estão sem dinheiro. Quem tem emprego, segura. Quem não tem, procura. Os que possuem um amor desconfiam até da própria sombra, já que há muita oferta de sexo no mercado. E a gente corre pra caramba, é escravo do relógio, não consegue mais ficar deitado numa rede, lendo um livro, ouvindo música. Há tanta coisa pra fazer que resta pouco tempo pra sentir.
Por isso, qualquer sentimento é bem-vindo, mesmo que não seja uma euforia, um gozo, um entusiasmo, mesmo que seja uma melancolia. Sentir é um verbo que se conjuga para dentro, ao contrário do fazer, que é conjugado pra fora.
Sentir alimenta, sentir ensina, sentir aquieta. Fazer é muito barulhento.
Sentir é um retiro, fazer é uma festa. O sentir não pode ser escutado, apenas auscultado. Sentir e fazer, ambos são necessários, mas só o fazer rende grana, contatos, diplomas, convites, aquisições. Até parece que sentir não serve para subir na vida.
Uma pessoa triste é evitada. Não cabe no mundo da propaganda dos cremes dentais, dos pagodes, dos carnavais. Tristeza parece praga, lepra, doença contagiosa, um estacionamento proibido. Ok, tristeza não faz realmente bem pra saúde, mas a introspecção é um recuo providencial, pois é quando silenciamos que melhor conversamos com nossos botões. E dessa conversa sai luz, lições, sinais, e a tristeza acaba saindo também, dando espaço para uma alegria nova e revitalizada. Triste é não sentir nada.

Autoria de Martha Medeiros

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Solidão 2 - Soseki Natsume

Postado por BeliM às 13:26 1 Engraçadinhos
"A solidão é o preço que temos de pagar por termos nascido neste período moderno, tão cheio de liberdade, de independência e do nosso próprio egoísmo."

Soseki Natsume

Solidão - Josh Billings

Postado por BeliM às 13:17 0 Engraçadinhos
"Solidão: um lugar bom de visitar uma vez ou outra, mas ruim de adotar como morada."

Josh Billings

domingo, 8 de agosto de 2010

Postado por BeliM às 15:41 1 Engraçadinhos
Política 1
"Na política, os ódios comuns são a base das alianças."

Alexis de Tocqueville

*****
Política 2



Feliz Dia dos Pais!!!

Postado por BeliM às 15:29 1 Engraçadinhos
Feliz Dia dos Pais!!!!

Como arruinar um relacionamento...

Postado por BeliM às 15:23 0 Engraçadinhos
Achei esse quadrinho pela internet faz um tempinho! Acabei de achar no computador... só para dar ar bem humorado ao espaço. (Vou tentar achar o link do site do qual eu tirei, assim que encontrá-lo posto os devidos créditos.)
Clique em cima para visualizar maior

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

A Teia da Esperança - Isabel Gouveia

Postado por BeliM às 12:31 4 Engraçadinhos
A Teia da Esperança

A teia tecida
nas noites de esperança,
rasgada e ferida,
segue a nossa andança.

E juntos, mãos dadas,
olhamos pra ela,
vontades paradas,
quais barcos sem vela.

Amigo, que o braço
cansado de tédio
ergamos no espaço!
É esse o remédio.

Depois de cerzidas,
não ficam marcadas
profundas feridas
em teias rasgadas!

Isabel Gouveia, in "Poemas Vários (1950-1975)"

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Voz de Outono

Postado por BeliM às 23:57 4 Engraçadinhos
Voz de Outono

Ouve tu, meu cansado coração,
O que te diz a voz da Natureza:
— «Mais te valera, nú e sem defesa,
Ter nascido em aspérrima soidão,

Ter gemido, ainda infante, sobre o chão
Frio e cruel da mais cruel deveza,
 Do que embalar-te a Fada da Beleza,
Como embalou, no berço da Ilusão!

Mais valera à tua alma visionária
Silenciosa e triste ter passado
Por entre o mundo hostil e a turba vária,

(Sem ver uma só flor, das mil, que amaste)
Com ódio e raiva e dor... que ter sonhado
Os sonhos ideais que tu sonhaste!» —

Antero de Quental, in "Sonetos"
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