Mostrando postagens com marcador Livro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Livro. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

"Essa era uma das coisas..."

Postado por BeliM às 13:41 0 Engraçadinhos

'Essa era uma das coisas que adorava na arte, concluiu Mattie. Era precisa, permanente, meticulosa, limitada por linhas. Mesmo o rabisco mais escandaloso em geral era resultado de muito raciocínio. A vida, por outro lado, era transitória, fugaz, desalinhada. Não tinha importância se escapasse das linhas. Droga, passava por cima delas feito rolo compressor." 

Trecho do livro  A Primeira Vez, de Joy Fielding. p. 217

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Postado por BeliM às 08:46 5 Engraçadinhos
“O tempo é capaz de desfocar as nossas dores e nos distrair com a vida que segue, mas a dor nunca some por completo. Nós a colocamos num arquivo do coração e evitamos mexer nela” – Rafa, p. 43

Do livro: Entre o Amor e a Amizade, de Bianca Briones.
 
A Bianca, do blog Redoma de Cristal, uma pessoa muito querida, acabou de lançar seu livro que é apaixonante!!! =D

sábado, 27 de novembro de 2010

Felicidade clandestina - Clarice Lispector

Postado por BeliM às 12:11 7 Engraçadinhos
Felicidade clandestina
Clarice Lispector

LISPECTOR, Clarice - O Primeiro Beijo. São Paulo, Ed. Ática, 1996

Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme; enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria.

Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como "data natalícia" e "saudade".

Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia.

Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía "As reinações de Narizinho", de Monteiro Lobato.

Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria.

Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu não vivia, eu nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam.

No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.

Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do "dia seguinte" com ela ia se repetir com meu coração batendo.

E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.

Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.

Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler!

E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: "E você fica com o livro por quanto tempo quiser." Entendem? Valia mais do que me dar o livro: "pelo tempo que eu quisesse" é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer.

Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.

Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar… Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada.

Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.

Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.


sexta-feira, 29 de outubro de 2010

"Amava a vida..."

Postado por BeliM às 11:01 3 Engraçadinhos


"Amava a vida e todas as pessoas desta casa e todas as pessoas de valor em todos os cantos do mundo. O destino não era fácil... Mas colocava as coisas no lugar. Eventualmente, tudo o que acontecia era exatamente como devia ser. "
Citação do Livro: John Metthew - Lover Mine - JR. Ward


 

domingo, 5 de setembro de 2010

O Meme de um Mês: quarto dia: livro favorito

Postado por BeliM às 12:10 1 Engraçadinhos
Adoro livros e é difícil escolher apenas um favorito. Mas já que pode apenas citar uma escolha, um dos meus favorito é Orgulho e Preconceito de Jane Austen. Sou fã dessa autora e simplesmente adoro esse livro.
Jane Austen é uma autora inglesa de grande sucesso que viveu entre os séculos XVIII e XIX.  Suas obras retratam o cenário rural, as famílias e os costumes da época.  As mocinhas, apesar do contexto no qual estão inseridas, se mostram fortes e com idéias avançadas para seu tempo. Seus livro são apaixonantes e envolventes.
Em Orgulho e Preconceito, há uma das personagens que mais gosto do universo de Jane Austen: Lissei, Elizabeth Bennet. Uma jovem diferente das outras de seu tempo, que não se prende ao sonho do casamento e faz críticas sutis ao coportamento da época. E quem gosta de bons romances, vai se encantar com Fitzwilliam Darcy, ou apenas Mr. Darcy. Ambos se encontram em uma festa, contudo, a primeira impressão que um tem sobre o outro não é das melhores. Lissei é de uma família falida e com menos recursos, com uma mãe impulsiva que é louca para casar suas com bons maridos, um pai mais paciente e descompromissado e mais 5 irmãs. No decorrer da trama, no entanto, Lissei e Darcy vão descobrindo que estavam enganados a respeito um do outro. 

Sinopse:

A obra literária de Jane Austen deu ao romance inglês o primeiro impulso para a modernidade, ao tratar do cotidiano de pessoas comuns. De aguda percepção psicológica, seu estilo destila sempre uma ironia sutil, dissimulada pela leveza da narrativa. Orgulho e Preconceito (1797) é a obra mais conhecida da autora. Jane Austen mostrou como o amor entre os protagonistas era capaz de superar barreiras de orgulho e preconceito, a diferença social entre eles e o escasso poder de decisão concedido à mulher na sociedade da época.A crítica veio a considerá-la a primeira romancista moderna da literatura inglesa.

Editora: Martin Claret
Autor: JANE AUSTEN
Ano: 2006
Edição: 1
Número de páginas: 316

sábado, 22 de maio de 2010

Desafio Literário 2010 – Maio

Postado por BeliM às 01:56 1 Engraçadinhos
Desafio Literário 2010 – Maio

TEMA: Chick-Lit
Resenha: O segredo de Emma Corrigan – Sophie Kinsella

O livro:

• Editora: Record
• Autor: SOPHIE KINSELLA
• ISBN: 8501069574
• Origem: Nacional
• Ano: 2005
• Edição: 1
• Número de páginas: 240
• Acabamento: Brochura
• Formato: Médio

O segredo de Emma Corrigan é um romance cheio de graça, de encanto e de segredos que toda a mulher tem, que guarda muito bem guardado e não conta absolutamente nada a ninguém. E Emma Corrigan definitivamente é uma mulher que guarda muitos segredos.
Sophie Kinsella, autora britânica e famosa pelos romances Chick-lit, conta nessa obra a interessante história de Emma Corrigan e sua conturbada vida, após sua primeira viagem fracassada de negócios e a sua volta dentro de um avião da Escócia para Londres, onde em um momento de turbulência no avião, pesando que vai morrer, conta todos os seus mais profundos, íntimos, intrigantes e bizarros segredos de sua vida para um homem estranho sentado do seu lado. E conta tudo!!! Absolutamente tudo... Até sobre a calcinha-fio dental... rsrss (Sem comentário!!!)
Emma é uma mulher jovem, esforçada e que luta para se sair bem no emprego e conseguir uma promoção. Ela trabalha como assistente de marketing na Corporação Panther, uma grande empresa de bebidas. Ela mora com duas amigas, Lissy e Jemina. Sua relação com a família é um pouco complicada e apagada. No trabalho, sua vida não é também nem um pouco sossegada, por causa da sua colega e “chefe” Artemis. E ela tem um namorado, Connor, que trabalha na área de estatística e que é parecido com o Ken da Barbie, segundo Emma. Ela guarda pequenos segredos de todos, principalmente, à respeito do trabalho e do namorado.
Contudo, após a viagem de avião turbulenta, na qual pensava que iria morrer e no desespero acabou por contar todos os seus segredos mais íntimos a um estranho, a vida de Emma Corrigan não será mais a mesma. Na verdade, estava tudo bem ter contado seu segredo a um estranho americano, bonito por sinal, que nunca mais iria ver novamente, mais essa tranqüilidade dura até que ela descobre no dia seguinte que o mesmo homem estranho é o seu patrão, dono e fundador da Corporação onde trabalha, Jack Harper. Ela vai se entrar em pânico com a revelação e vai fazer das tripas e corações para se manter afastada dele.
Jack Haper é um grande empresário, fundador de uma grande empresa de âmbitos internacional. Contudo, após a morte de seu sócio e melhor amigo, se sentira triste e fechado. Até em uma viagem de avião se deparar com as confissões mais íntimas e desesperada de Emma Corrigan, que claramente tinha medo de avião, e acaba por se ligar a ela. Emma vai ser sua inspiração e ambos, aos poucos, vão se envolver.
É uma história de amor que te prende do começo ao fim e é engraçadíssima. Kinsella, no decorrer da história, vai mostrando todas as intrigas, confusões, fofocas, distrações e conflitos que se passa dentro das paredes da empresa e nas relações de trabalho de Emma. Emma é uma personagem forte, irreverente, determinada e simpática.

Eu optei por esse livro pois ele me chamou a atenção pelo título e de ter lido e ouvido referências ótimas sobre a autora. Na verdade, eu não tinha muita idéia de que livro escolher para o tema, até que O segredo de Emma Corrigan me chamou a atenção, e acabei fazendo o download de uma versão digitalizada e, por fim, acabei comprando a edição brasileira quando me deparei com uma promoção.
Não tenho palavras para descrever o tão cativante e prazeroso que foi ler esse livro. E geralmente, os chick-lit nos oferece uma leitura deliciosa e um bem-estar de espírito maravilhoso. A narração é fluida e a trama da história muito bem construída. Emma é encantadora, e ela nos prende de uma maneira que nos leva a pensar como ela vai agir, como ela vai lidar com determinada situação. E Jack é um encanto e muito interessante. Um homem cheio de mistérios e fechado para os olhos de Emma. Adorei!!! E sabe o que é mais engraçado, são verdadeiros segredos que qualquer mulher esconde, como a perda da virgindade, pequenas intrigas e vingançinhas no trabalho, esconder nosso verdadeiro número de roupa para o namorado... algumas eu realmente me identifiquei...
É incrível como os chick-lit consegue trabalhar bem essa idéia da mulher moderna, suas lutas, suas ansiedades e desejos. Mostra um bom panorama das mulheres de hoje, com as quais nos identificamos...
Nota de 1 a 5: 5 (Excelente). Mega recomendado para poder se divertir e se animar com uma boa história de amor. É cativante!!! =D

Uma dose de O Segredo de Emma Corrigan:

“A gente vai morrer.
A gente vai morrer.
- O que foi? – O americano ao lado olha para mim, com o rosto tenso e branco.
Eu falei aquilo em voz alta?
- A gente vai morrer.
Encaro o rosto dele. Talvez esta seja a última pessoa que eu verei ainda viva. Observo as rugas desenhadas em volta dos olhos escuros; o queixo forte, sombreado pela barba crescida.
De repente o avião cai de novo, e eu dou um grito involuntário.
- Não acho que a gente vá morrer – afirma ele. Mas também está agarrando os braços da poltrona. – Eles disseram que era só turbulência...
- Claro que disseram! – Posso ouvir a histeria na minha voz. – Eles não diriam exatamente: “Certo, pessoal, é isso aí, vocês todos vão pro beleléu!” – O avião dá outro salto aterrorizantes e eu me pego agarrando a mão do sujeito, em pânico. – A gente não vai sobreviver. Sei que não. É isso. Estou com 25 anos, pelo amor de Deus. Não estou pronta. Não realizei nada. Não tive filhos. Nunca salvei uma vida... – Meu olhar cai aleatoriamente na matéria sobre “30 coisas para fazer antes de fazer 30 anos”. – Eu ainda não escalei uma montanha, não fiz tatuagens, eu nem sei se tenho um ponto G...
- Perdão? – diz o homem, parecendo pasmo, mas eu mal escuto.
- Minha carreira é uma piada completa. Eu não sou uma alta executiva. – Aponto meio lacrimosa para o meu tailleur. – Eu não tenho uma equipe! Sou apenas uma assistente de merda e acabei de ter minha primeira reunião importante, e foi um desastre completo. Não entendo quase nada do que as pessoas estão falando, não sei o que significa logística, nunca vou ser promovida, devo quatro mil pratas ao meu pai e nunca me apaixonei de verdade...
Paro de repente, com um tremor.
- Desculpe – falo, e solto o ar com força. – Você não quer ouvir essas coisas.
- Está tudo bem – responde o sujeito
Meu Deus. Eu estou pirando de vez.”

Hoje... Fim de sexta-feira...

Postado por BeliM às 01:41 0 Engraçadinhos
Ao mesmo tempo que estou feliz por ter terminado um livro que há alguns dias eu vinha prolongando a leitura de proposito, eu estou triste por ele ter acabado! Foi um dos livros que mais mexeu comigo, com meu estado de animo, com a minha cabeça e fazia muito tempo que um livro não me fazia chorar ou me deixar em tal estado de agitação sem precedentes.
Esse livro é "O Morro dos Ventos Uivantes", de Emily Brontë. Um livro que conta uma história de amor, dramático e trágico, arrastado por odios e por vinganças, mas que no final de tudo prova que o amor não morre, que supera a própria morte. Triste, melancólico e sombrio, contudo incrivel, fascinante e envolvente.
Um livro sem palavras, um clássico da literatura inglesa  do século XIX.
Estou agitada até agora com ele!!!
Um desfecho perfeito, que nos faz parar para reflerir sobre algumas coisas importante...


Beli =D

terça-feira, 20 de abril de 2010

Resenha - Desafio Literário 2010 - Abril

Postado por BeliM às 16:32 0 Engraçadinhos
Tema: Escritores Latino-americanos

Mês: Abril - 2010


Neste mês, eu li:


Título: Clarissa
Autor do livro: Erico Veríssimo
Editora: Companhias das Letras
Nº de páginas: 214, aproximadamente.


O livro:


O livro é um romance que conta a história de Clarissa, uma adolescente que saiu da casa dos pais, que moram no interior rural do Rio Grande do Sul, para estudar na cidade e morar na pensão da Tia Eufrasina, com seus intrigantes e interessantes moradores. A tia cuida e zela a menina como se fosse sua própria filha. A história é narrada através do olhar, da perspectiva e visão de mundo da esperta, confiante e otimista adolescente de 13 anos, revelando seus sentimentos, interesses e ansiedade de se tornar uma mocinha. O romance narra as descobertas que animam a vida de Clarissa na cidade, despertando nela uma experiência nova de mundo, misturando pureza, inocência e singeleza.
Outro personagem que também chama atenção na história é o Amaro, um dos moradores da pensão. É um homem de quase 40 anos, que gosta da arte e da música, porém tristonho e solitário. É o grande “contraponto” de Clarissa. Em vários momentos é mostrado seu ponto de vista mais triste a respeito da vida e seu encantamento pela juventude, pureza e alegria de Clarissa.
Clarissa está recheado de personagens interessantes e animados, formando o núcleo de moradores da pensão. A atmosfera do romance se passa nos anos da década de 30 e retrata, em meio aos diálogos desenvolvidos no livro, parte da situação política e econômica da época. O livro foi publicado por Erico Veríssimo em 1933, e constitui o primeiro romance desse conhecido autor gaúcho. Para não expor muito sobre a história, tentei ser o mais breve possível. Só lendo para saber o que significa essa obra maravilhosa...

Por que o escolhi:


Eu escolhi este livro para a minha primeira leitura para o Desafio, pois há muito tempo ele estava na minha estante e nunca o pegava para ler. Eu comprei o livro de um sebo, uma porque já havia ouvido falar do autor, estudado alguns dos seus textos e, outra, porque eu realmente tinha interesse de ler um de seus livros. Permaneceu guardado até esses dias, até que eu percebi pelo Desafio uma ótima oportunidade para desalojá-lo da onde estava e o tirar para ler. E o que me fez sentir atraída pelo livro, em lê-lo, até quando o comprei, foi o título do livro: Clarissa. Este é um nome feminino que eu simplesmente adoro.

A leitura:


A obra oferece uma leitura realmente agradável, singela e linear, em um ritmo bem tranquilo, mas não parado. Tem cor e tem humor. Conforme você vai lendo e se envolvendo no mundo de Clarissa, você sente o que ela sente, desvendando o mundo com ela. A forma como a Clarissa enxerga o mundo e o descobre, no contexto próprio de uma adolescente dos anos 30, realmente te envolve e te ensina a ver o mundo com mais otimismo, um pouco mais “colorido”.

Nota de 1 a 5: Para mim, é 5 ( Excelente). Altamente recomendável. Não mudaria nada na história.

Uma dose de Clarissa:

“Clarissa senta-se no chão e cruza as pernas. As galinhas agora se encontram espalhadas por todo o quintal. Dois franguinhos brancos se dão bicadas. Beijos? Clarissa observa-os, interessada. Será que estão brigando ou estão se acariciando? Mas pensando bem, o beijo é uma coisa muito esquisita.
Lábios que se encostam noutros lábios. Para quê tanto mistério? No cinema todos os namorados se beijam, ninguém repara, ninguém fala. Aqui fora, se a gente fosse beijar um rapaz - meu Deus! -, vinha o mundo abaixo, toda a gente falava, toda a gente criticava. Dizem que a Vivi é muito desfrutável, que beija todos os namorados que tem... A Dudu também. Decerto isto é de família: são irmãs. Mas que bobagem! Uma pessoa fica - mal vista, fica falada, fica sendo considerada desfrutável e sapeca só porque deixou o namorado encostar os lábios nos lábios dela. Ora, já se viu? Enfim, ela – Clarissa - é uma boba que não sabe nada da vida. Decerto deve haver um segredo muito grande nessa história do beijo. Um segredo que pouca gente sabe. Deve ser alguma coisa boa. Se não fosse boa, os namorados não faziam tanta questão do beijo. Sim, isto é o beijo de namorados. Porque o beijo que a gente dá na mãe, no pai, na tia, numa amiga - é diferente. Pelo menos deve ser. Se não for, então tudo é bobagem. Se o beijo dos namorados tem o mesmo gosto... não vale a pena. Enfim... É um segredo, um mistério, não sei...”

Beli =)

 
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
 

Deixa disso... Ok! Template by Ipietoon Blogger Template | Gift Idea